16/12/2009

Bullying

Muito se fala de Bullying, muitas notícias fazem correr tinta para as Folhas dos Diários e claro, muito blogs, associações e comentários por esse Mundo Virtual afora.

De algumas pesquisas, gostei essencialmente da síntese feita por esta Associação de Pais http://www.eidh.pt/apeeidh/Comunicacao.htm

Mas, a notícia que esta semana vi na TV é que me fez procurar pelo conceito de CiberBullying!

Onde encontro bastante informação e ainda mais sobre segurança na Internet, é no site http://www.miudossegurosna.net/

No entanto apenas para lançar o tema, podemos considerar, simploriamente que Bullying é agressão, física ou psicológica, tal como a Wikipédia indica, de forma resumida e clara.
Bullying[1] é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully ou "valentão") ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender. Também existem as vítimas/agressoras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de bullying pela turma.

Porém, existem diversos tipos de Bullying, tais como:
- Insultos;
- Agressões sistemáticas, mesmo que não sejam graves;
- Ameaças, para levar a vitima a fazer o que os agressores querem;
- Pequenos roubos ou danos em propriedade da vitima, exemplo material escolar.

Feliz ou infelizmente, Eu fui vitima de Bullying na Escola - na época não se chamava assim, eram simplesmente brigas entre colegas, até que as proporções da situação se desproporcionavam e então ai os professores tomavam atenção a isso.
É realmente muito duro ser-se vítima de um colega sacana, mal formado e apenas com intensões de nos magoar e manipular, problema maior é quando nós não damos o braço a torçer e ficamos na nossa, ai piora!

A primeira vez que fui vítima de Bullying (usando o termo actual), andava na 2ª classa, tinha 6ou7 anos - havia uma colega de turma que obrigava/pedia/roubava dinheiro a diversos colegas e mesmo até aos que não levavam dinheiro ela passou a exigir que o fizessem, para que depois lho dessem a ela. A situação continuou durante algum tempo, contei em casa o que se passava, piorou!



A partir dai, essa colega conseguiu minar a opinião de todos os coleguinhas, fazendo com que a maioria da turma, que eram até meus vizinhos (já que a escola ficava mesmo por debaixo do meu prédio - a maioria de nós eramos vizinhos) ficassem "contra" mim. Os restantes colegas não me faziam nada, mas como tinham mendo dela, simplesmente não me falavam, não interagiam comigo e muito menos no recreio - eu não tinha ninguém com quem brincar.

A situação acumulou, até que eu chorava, creio que a expressão é "baba e ranho", tentando que a minha mãe não me deixasse na escola, até que isso acabou por acontecer! O meu estado de desespero com aquela situação era tanto que na época a médica de família considerou depressão nervosa - se eu ouvisse falar de escola, chorava, mas chorava mesmo!

A situação acalmou porque me mudaram de escola, mudaram-me para uma turma nova, com outras dinâmicas, outras pessoas, também alguns deles meus vizinhos e uma nova professora, que agora entendo que o facto de ela ser mais severa não permitia que determinadas situações se passassem como esta que se passou comigo.

Fui bem aceite, era uma novidade, tive algum apoio - mas sei que desde o início me isolei. No decorrer desse ano, julgo que foi mais uma entre muitos. No ano seguinte, tive outra colega que também embirrou comigo porque eu não brincava, sei lá talvez como ela queria... quem sabe - eu jogava à bola e curtia de jogar ao berlinde;))) coisas mais de rapazes, então também esta me tentou chatear, desta vez tive mais sorte.
Dentro da sala não se passava nada porque todos receavam um pouco a professora, mas no recreio lá quando se lembrava vinha fazer "ferro velho", mas eu deixei passar, quando queria brincava com os rapazes, que não se importavam e aceitavam a mim e mais uma ou outra para jogar à bola...

Nessa época a minha mochila era encarnada e tinha o Snoppy com um carro da Formula 1 (como eu gostava daquela mala), até isso servia de gozo;\
Depois, creio que já na 4ª classe, os intervalos para mim, eram espaços de leitura e pintura, levava o meu livro, sentava sozinha e lia; noutros dias, levava as canetas e os lápis e pintava;) Isolei-me! Já não tinha paciência para dar e não receber!

Os anos escolares foram passando e sempre senti que estabelecia o máximo de relações possíveis com colegas de todas as turmas e professores, participava no Jornal da Escola, nos Clubes, na Rádio, em Projectos de Teatro, Arte...sei lá, passava o dia inteiro na escola, desde manhã à hora do jantar.
Foram sem dúvida os melhores anos de escola, ter andado na EB, 2 e3 de Vialonga, foi sem dúvida muito bom. A escola tinha inúmeros projectos e actividades e eu participava em tudo!
Mas, ainda assim sempre ouve pequenos conflitos comigo, com outros, sempre fui a "caixa de óculos", sempre houve a "boca de lata", "a baleia", "o trinca espinhas"... havia alcunhas para todos, umas mais agradáveis que outras! Mas, nas diversas turmas que tivemos não julgo que tivessem havido situações extremas.

Depois começou outra fase, o secundário! Já na escola em Alverca, eu e outra colega, ficamos numa turma, com colegas da nossa ex-turma, de outras, uns conhecidos, outros amigos e outros novidades, se querem que vos diga não me lembro de ninguém, a não ser quem "ajudou" à nossa saída para outra escola.
Desta vez, o alvo foi a minha colega! Implicavam por tudo, por ser gorda, depois por ter emagrecido, porque fazia isto, porque estudava aquilo, porque namorava... entre inúmeras coisas - começaram a implicar comigo porque fiquei do lado dela.

É stressante, levantar de manhã e saber que o dia vai ser uma merda! Vai ser recheado de gente estúpida, egoísta e manipuladora, que se vão avizinhar à nossa volta, unica e exclusivamente com vontade de nos verem mal e de nos fazerem desistir de ser como somos e nos tornármos como elas!?

O que se havia passado comigo, voltou a passar-se com a minha colega e por arrasto comigo, acabámos por mudar de escola, desta vez para mais longe, para pôr um ponto final na história!

No resto do secundário e na Universidade sei que esse tipo de situações me perseguiram, que quando havia risadas nas minhas costas, eu pensava "estarão a rir de mim?"... até que depois o sentimento se atenua e começamos a perceber que não se estão a rir de nós, mas para nós!

Ainda assim, julgo que é preciso ter atenção a este tipo de situações e evitar que danos maiores aconteçam. Por experiência, tanto em criança como em adulta (sendo professora estagiária), sei e creio que todos sabem - as crianças podem e são cruéis, muitas das vezes porque a vida à volta delas também é cruel, mas isso não poderá ser sempre justificativo, os outros não têm a culpa.

É um fenómeno difícil, não é nenhuma modernice, acontece desde sempre, acontece na escola, no emprego, num grupo de (supostos) amigos, no casamento, nas famílias... tem e podem chamar-lhe o que quiserem... é violência... física e/ou psicológica...

É traumatizar o outro, minando a sua auto-estima, as suas ideias, as suas certezas.
Numa altura em que as crianças/jovens deveriam estar a formar a sua personalidade e a tomar decisões importante e além do mais a divertirem-se a aproveitarem o tempo na escola, que para além de espaço de aprendizagem, deve ser um espaço de múltiplas experiências, estão simplesmente a vivenciar a pior parte.
Restaurar, posteriormente a auto-confiança e a confiança nos demais, vai ser uma tarefa árdua!

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